Estúdio 321

O melhor tratamento para suas imagens

O Estúdio 321 abriu suas portas em julho de 2008, com a proposta de oferecer o melhor tratamento para suas imagens – da digitalização à impressão, seja ela fine art em nossas instalações ou terceirizada.

Nossa equipe é formada por três profissionais das áreas de arte e fotografia, com experiência em processos digitais e gerenciamento de cor.

Estamos aptos a colaborar não somente no desenvolvimento das imagens, mas também em sua conceitualização estética.

Nosso atendimento é personalizado. O cliente pode acompanhar todo o processo, especialmente o desenvolvimento da interpretação das imagens, para que o resultado seja exatamente o esperado.

Nosso foco é o mercado autoral de arte e fotografia. Mas, com o mesmo cuidado e atenção, fazemos também trabalhos comerciais.

 

Nossos Serviços

Digitalização, Tratamento de imagens e Impressão Fine Art

Digitalização

Trabalhamos com equipamentos de digitalização para filmes fotográficos, negativos e cromos (transparência) e para fotografias em papel, desenhos, gravuras, etc (reflexão). Temos um equipamento  Flextight X5, da Hasselblad (antigo Imacon), que pode capturar originais em filme nos mais diversos formatos, entre negativos e cromo, com alta qualidade ótica e resolução.

Nosso outro equipamento é o Scanner Epson Expression 10000XL, que tem área de digitalização de 12.2″ x 17.2″ (30.9×43.6cm aprox.), com esse formato ele é ideal para digitalização de fotografias em papel, desenhos e outros tipos de originais até formato A3.  Em alguns casos podemos fazer uma reprodução fotográfica, que pode ter um resultado melhor para colagens ou originais maiores que o formato A3. Uma avaliação prévia dos originais definirá a melhor maneira de captação. Tire suas dúvidas por e-mail ou nos ligue.

Tratamento de imagem

Esse é um processo realizado por meio de softwares gráficos (como o Photoshop), com o objetivo de melhorar a qualidade das imagens.

Gerenciamos nossas cores segundo o projeto ICC (International Color Consortium). Para isso trabalhamos em ambiente neutro com iluminação e monitores calibrados em 5000k. Nossos equipamentos são adequados para tratamento de imagem e reproduzem alta gama de cores.

Usamos perfis de simulação das saídas possíveis para visualizar em tela as imagens tais como elas podem sair na mídia final escolhida. Dessa maneira temos controle do processo inteiro, podendo fazer o tratamento e os ajustes necessários, com fidelidade e precisão de cor no resultado final.

Nosso objetivo é dar às imagens a melhor interpretação e o melhor ajuste, explorando ao máximo suas possibilidades. Recomendamos que, quando possível, o autor participe do processo de tratamento, contribuindo para que alcancemos o melhor resultado.

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Impressão

Saídas em impressão a jato de tinta, com impressoras Epson e tintas UltraChrome (pigmentadas), em papéis Fine Art, matte (fosco) ou brilhantes.

Usamos tintas  que, combinadas a tipos especiais de papel, proporcionam ao trabalho uma durabilidade de aproximadamente 200 anos em condições museológicas.

Para mais informações sobre a durabilidade estimada de diversos papéis combinados a essa coleção de tintas, acesse www.wilhelm-research.com.

Trabalhamos com as impressoras:

·      Epson Stylus Pro 9900 com largura máxima de impressão de 110 cm e que utiliza tintas UltraChrome HDR (High Dynamic Range). 

·      Epson Stylus Pro 11880 com largura máxima de 160 cm de largura e que utiliza tintas UltraChrome K3 com Vivid Magenta.

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Da impressão à parede em um só lugar

Estúdio 321 e Jacarandá Montagens

A parceria entre o Estudio 321 e a Jacarandá Montagens tem como objetivo oferecer digitalização, tratamento e impressão de imagens (Estúdio 321), bem como montagem, apresentação e conservação de obras de arte (Jacarandá Montagens), tudo num mesmo espaço físico.

Sempre preocupados com a excelência dos resultados, trabalhamos com materiais de conservação museológica com certificação e padrão de qualidade internacional.

Ainda assim, acreditamos que nosso trabalho não se restringe apenas ao conhecimento técnico.

Ele vem aliado a um olhar apurado e referências estéticas em fotografia e artes plásticas, agregando opções complementares aos aspectos conceituais do trabalho artístico.

A parceria oferece no mercado de arte soluções de atendimento com qualidade para os mais importantes artistas, instituições e galerias do país, tendo em seu portfólio clientes como o Museu de Arte Moderna, Instituto Tomie Ohtake, Galeria Millan, Galeria Vermelho, entre outros.

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Parceiros

Novidades

Exposição está linda!
Abertura amanhã às 19:00
Rua Coronel Melo Oliveira, 783
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Montagem, processo, exposição tomando forma! #riccardoajossa #opapeldaprudencia #marcoantonionakata #espaço321jacaranda #espaçoexpositivo321jacaranda #estudio321 #jacarandamontagens @_beatrizfranco_ @jacaranda.montagens @riccardoajossa ... veja maisveja menos

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work in progress... Riccardo Ajossa Marco Antonio Nakata

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Primeiro dia de montagem! #opapeldaprudencia #riccardoajossa #marcoantonionakata #espaço321jacaranda #estudio321 #jacarandamontagens #espaçoexpositivo321jacaranda Beatriz FrancoJacarandá Montagens Espaço 321 Jacarandá
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Começando o processo de montagem da exposição "O Papel da Prudência" de Riccardo Ajossa aqui no nosso espaço. Hoje foi o dia de desembalar os trabalhos e conhecer as obras ao vivo. Lindo!
#riccardoajossa #espaço321jacaranda #estudio321 #jacarandamontagens Jacarandá Montagens Beatriz Franco Espaço 321 Jacarandá Riccardo Ajossa
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Espaço Expositivo 321 Jacarandá

Nádia Taquary

de 22/09 à 12/11/16

Okiri, saudação à cabeça

 

Oriki é uma palavra ioruba composta por ori que quer dizer cabeça e ki saudar. Portanto: saudar a cabeça. Oriki é também verso, poema entoado, que se canta para os orixás e que, ao ser enunciado, exalta seus atributos. Um oriki pode ser cantado em diversas ocasiões, religiosas ou não, e para os mais diversos seres, entre eles os homens. O silêncio e a reverência ao orixá cantado, no entanto, sempre se fazem presentes e se acredita que o oriki seja capaz de apaziguar e inspirar. Na religião afro-brasileira, a cabeça é a conexão entre os dois mundos, àiyê (terra, mundo físico) e orun (céu, mundo espiritual).

Há algo de redentor no trabalho de Nádia Taquary, também no modo como ele se impôs na sua vida. Nádia cresceu em Valença, litoral baiano, e seu trabalho reconta uma parte da história e da identidade desse lugar. Ele começou com uma pesquisa sobre a ourivesaria colonial, os balangandãs das mulheres negras escravizadas, sinônimo de opressão e esperança de liberdade; daí nascem suas primeiras esculturas. Nos balangandãs gigantescos de Nádia as proporções impõem uma nova relação do expectador com a história. Sentimentos de pertencimento são revistos, a exuberância é impactante, mas não nos distrai do seu conteúdo latente. Algo grita!

E por que ainda retornar? A repetição é uma parte importante da vida! A repetição é uma parte importante da arte! Há quem defenda que nada nunca se repita do mesmo modo, no entanto, nem sempre as diferenças são facilmente notadas. Algumas vezes precisamos rever, repetir o ato de olhar, para perceber o novo. Isso importa? Penso que muito. Nádia repete e muda. Está criando um sistema próprio, creio que nem ela saiba ainda o destino e a forma que este sistema terá no futuro. Do deslumbramento evidente com as criações femininas dos balangandãs ela passou para o “Mundo”, depois seguiu com as cabeças inspiradas em penteados de povos africanos, seus códigos marcados no corpo; então o sagrado e o humano se misturam, vemos os dois lado a lado e não percebemos mais os seus limites. Sobre suas Yabás (orixás femininos), em bronze e com mais de dois metros de altura, Nádia me diz: “é só cabeça!”. E aqui repito: é a ligação entre os dois mundos!

Nádia compõe suas peças como orikis. Ela saúda sua ancestralidade sem muito explicar. É como uma palavra entoada, dita no silêncio, vinda de um conhecimento ancestral, algo inconsciente – dado que ela não é uma iniciada na religião africana – para nos fazer mais fortes, mais livres e exaltar as virtudes desse povo que nos compõe. Seguiremos!

Curadoria, Beatriz Franco

Flávia Tojal, Helena Rios, Marcelo Greco e Pierre Devin

Missão Lance Ventoux 

 

A palavra Provence – provincia nostra em latim – chegou a nós com a ocupação romana. Neste contexto, nosso território setentrional se situa à fronteira da antiga província do Dauphiné e dos Alpes e à frente do Massif Central. Duas montanhas, a Lance e o Ventoux, delimitam uma paisagem cara ao escritor Philippe Jacottet. Vindo do vale do rio Rhône, elas constituem as colunas do pórtico de entrada do parque natural dos Baronnies. O parque busca proteger a qualidade das paisagens e a biodiversidade. Os abutres-fouveiros recentemente reintroduzidos adotaram o ecossistema e o patrulham majestosamente.

Esta região de pomares, vinhedos, oliveiras, lavandas, plantas aromáticas, mas também de atividades pastoris, conheceu profundas transformações. Há meio século, o êxodo rural liberou um domínio imobiliário ensolarado procurado pelos amantes de residências secundárias.

Recentemente, o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e dos transportes de grande velocidade permitiu o estabelecimento permanente de profissionais, até então sujeitados às grandes metrópoles. Há muito tempo numerosos artistas são atraídos pela qualidade da luz, das paisagens e da vida dessa região de forma

geral. A Provence, durante a história, foi especialmente beneficiada pela pintura e pela literatura. O cinema ampliou esse interesse, não sem gerar arquétipos e clichês.

Esta terra, no curso da história, desde a noite dos tempos, acumulou traços significativos dos domínios geológicos, arqueológicos, antropológicos e históricos.

É também uma terra de resistência à opressão, das guerras religiosas às lutas contra a ocupação fascista e de proteção aos judeus contra o extermínio. Sem dúvida consciente da qualidade do meio ambiente e das ameaças – nuclear, gás de xisto, projeto imobiliário de outra era – que pesam sobre a região, mobilizações tomam corpo há muito tempo.

A Missão Lance Ventoux pretende questionar as mutações do território e da vida dos cidadãos. Longe de um inventário ilustrativo, o questionamento se orientará em direção aos pontos sensíveis. A luz, o espírito do lugar, o olhar, mais do que os conceitos, são produtores de formas, de senso e do sensível. A produção de obras originais ou inéditas, testemunhas do engajamento poético dos autores,

contribuirá a uma reflexão sobre o mundo e sobre as formas que dele se apropriam. Os autores serão fotógrafos, escritores, pintores… As residências permitem alargar as perspectivas e abrir os campos a outras sensibilidades vindas também de outros continentes.

Além da ação cultural e artística, a Missão tem também um impacto social, ainda que apenas em termos de formação de imagens e de memória coletiva. Mesmo que seu objetivo não seja criar um banco de imagens, o corpo de todos esses ensaios constituirá, a longo prazo, uma bela ferramenta de observação da paisagem e de sua evolução.

A iniciativa da Missão é privada e não é apoiada por qualquer instituição. Ela assume, portanto, um formato cooperativo e reabilita o funcionamento coletivo. Sua direção artística se situa na intersecção das questões territoriais e formais.

A Missão dispõe de lugar de residência e do Sensible Espace d’Art em Rousset-les-vignes.

Sensible édition é o vetor da produção editorial. Sua experiência, que inclui o livro artesanal, permitiu-lhe construir uma rede de colaboração de alto nível com profissionais da produção gráfica e da encadernação.

As exposições terão lugar dentro de uma lógica de pertinência entre o local expositivo e as obras exibidas. Assim, será possível apresentar as questões em estudo e os trabalhos em andamento. A ampla abertura aos autores estrangeiros ajudará na circulação internacional das produções da Missão.

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Autores envolvidos ou engajados hoje na Missão Lance Ventoux:

Fotógrafos: Bernard Birsinger, Pierre Devin, Flavia Tojal, Helena Rios, Marcelo Greco, Daniel Michiels;
Pintores: Raymond Debiève, Gérard Sighicelli;
Escritor: Jean Luc Perronnet.

Eduardo Villares

 

Cinzas ou Entre o preto e o branco

 

O branco

A corpo caminha na direção do ocidente, em busca das luzes. O sol como Norte; a sua energia, o combustível para a frente, na vanguarda.

Nossa compreensão e construção de parâmetros racionais para uma realidade, se instaura a partir dessa luz; a partir do papel em branco o romance começa a ser escrito, a tela branca se oferece ao pintor para mais uma obra.

A alma, contraditória, age nas sombras, num movimento de confronto permanente com a realidade, a ordem e a perfeição.

Fica na retaguarda, ensimesmada, nas dobras e na penumbra.

O artista, tem no seu trabalho a busca do equilíbrio constante entre o corpo e a alma, procurando um lugar para sua obra, entre a luz e a sombra.

O preto

Um dos pigmentos mais antigos de arte, surge a partir da incineração de materiais: o nanquim ou preto de fumo, (2000 anos a.C em Nanjing_capital do Sul) na China.

O preto profundo revela o branco imaculado do papel. A prata reluzente, exposta à  luz, oxida, escurece, possibilitando os pretos do material fotográfico.

O cinza

Nesta conjunção de contradições Eduardo Villares constrói sua obra entre o preto e o branco, recriando gradações de cinzas inexplorados na escala cromática dos materiais fotográficos tradicionais. Como fotógrafo, revisita cenas e paisagens que são expostas à luz para obter a combustão e camadas de preto. Como pintor, reconstrói as mesmas imagens e recompõe o cotidiano com seus pincéis de nanquim e o carvão.

Muito mais do que como um desafio, ele enfrenta o papel e os brancos e pretos para ampliar as fronteiras, trazendo à tona seus sonhos escondidos entre as frestas e as cinzas.

Edição de imagens, Rosely Nakagawa

Miguel Rio Branco e Isidora Gajic

“Apoiava brandamente minhas faces contra as belas faces do travesseiro que,

cheias e frescas, são como as faces da nossa infância.”

(Marcel Proust, in: No caminho de Swann, tradução de Mario Quintana)

Ao massagear a planta dos pés com movimentos contínuos e assimétricos encontramos os pontos energéticos do corpo e podemos estimulá-los para liberar endorfinas, relaxar e estimular o prazer. O artista no video, em sincronia com a massagem e a sonoridade de um blues, improvisa uma parede de imagens que massageiam nossos olhos e alucinam nossas percepções. A síntese audiovisual é puro êxtase. Assim como o mosaico bizantino (pequenos e coloridos pedaços de pedras colados na parede); a tela da televisão analógica (pontos que representam o número de linhas por colunas); e o pixel da imagem digital; o discurso visual de Miguel Rio Branco e Isidora Gajic elege um conjunto de imagens aparentemente aleatórias que remete à noção de algo em que pulsa uma sabedoria atemporal.

Miguel Rio Branco nos mobiliza através de sua fotografia. Se a vida é caleidoscópica, sua arte é desconcertante pois ele, com seu arquivo, consegue produzir inesgotáveis conjuntos de imagens que desestabilizam o conformismo visual contemporâneo centrado numa imagem apaziguadora. Ele se diferencia exatamente por ter a coragem de tornar a recepção de suas obras uma atividade plurissensorial nem sempre presente na arte brasileira. Para isso reúne suas fotografias em dipticos, tripticos e polipticos, instalações, videos e livros, nos quais as questões centrais por ele idealizadas são percebidas através de fragmentos do real presentes na imagem e também por diversos níveis de analogias e operações sintáticas surpreendentes.

Isidora Gajic faz suas primeiras incursões em seu arquivo e por sua vez reúne algumas pulsões que provocam sensações diversas. Sua imagens – neve, teias de aranha, tramas irregulares, águas em movimentos aleatórios, entre outras situações – são provocativas. Em quase todas elas encontramos aquilo que o poeta russo Vladmir Maiakowski chamou de “fendas do acaso”, ou seja situações visuais que promovem não apenas associações e situações inesperadas, mas também, distintas possibilidades poéticas e perceptivas.

Miguel Rio Branco e Isidora Gajic sabem como ninguém arrancar da obscuridade do arquivo, imagens de seres ofegantes, de animais em situações limítrofes, de cores e texturas contrastantes, que intimam o receptor a refletir sobre esses elaborados confrontos improváveis. É nessa aparente desordem que os artistas atuam a fim de transgredir e criar complexidades na abordagem dos problemas. Eles sublinham as oposições e propõem paradoxos visuais inexplicáveis. A síntese imagética requer um tempo de leitura pois eles sabem que as narrativas amplificadas incomodam, provocam o choque súbito, demarcam as descontinuidades, desencadeiam emoções nem sempre verbalizadas.

Eleger um conjunto de imagens a fim de criar um todo significativo não é tarefa fácil. Estabelecer critérios, classificar, organizar é saber como equilibrar sensibilidade cultural com profundidade narrativa. E isso é para poucos. Nessa mostra, pautada por uma ideia proustiana nada contemplativa, podemos sentir o frescor nos procedimentos criativos e nas frestas que viabilizam inúmeras outras articulações que não aquela proposta pelos artistas. É como se estivéssemos diante de uma improvisação blues onde reconhecemos alguns acordes dinâmicos e intensos mas não deciframos totalmente os enigmas.

 

Rubens Fernandes Junior, pesquisador e curador independente

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